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LINHA SAÚDE MENTAL

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Joyce de Almeida Cruz

ABUSO SEXUAL




Foto: Divulgação

Nesta semana durante um atendimento psicológico me dei conta do elevado número de mulheres que na fase adulta sofrem pelos abusos sofridos na infância. Infelizmente, no passado e atualmente, na maioria das vezes o agressor é alguém próximo e a vítima é desacreditada e tachada de mentirosa.

Num atendimento uma dessas mulheres trouxe a demanda sobre o abuso que ocorreu na infância e o quanto aquilo tudo ainda era muito vivo em seu dia a dia, ou seja, as sequelas deixadas pelo abuso são devastadoras e persistem na vida adulta, e uma das frases mais marcantes que já escutei em consultório foi: “Me sinto morta por dentro”. A partir disso me dei conta de quantas mulheres são minhas pacientes em clínica que vieram por outras demandas, mas que durante a psicoterapia na maioria dos casos ao relatar a história de vida sempre aparece a ocorrência de abuso.

Atualmente embora tenhamos o amparo do ECA (estatuto da criança e do adolescente), punições para os agressores e campanhas de prevenção contra o abuso sexual, ainda assim os abusos não cessaram e acontecem todos os dias. É difícil compreender o porquê ainda isso acontece, mas infelizmente essa situação não mudou e muitos abusos ainda acontecem em número alarmante. Camboriú atualmente é o município com maior índice de abuso sexual no estado de Santa Catarina e em seguida vem o município de Joinville, o assustador disso tudo é que Joinville tem uma população de mais de 500 mil habitantes enquanto que Camboriú possui pouco mais de 80 mil habitantes. O poder público tem que criar estratégias de combate, mas essa tarefa de prevenção e denúncia é responsabilidade de cada um de nós que moramos aqui.

Mesmo que essa informação quanto aos números seja assustadora é importante destacar que isso é algo que não deve acontecer, não existe brecha que flexibilize aceitar isso como prática legítima e tolerável. Abuso sexual é crime e o agressor deve ser responsabilizado criminalmente.

As crianças abusadas hoje vão crescer e potencialmente serão os pacientes encontrados nos consultórios psicológicos e psiquiátricos no futuro, assim como já identificado atualmente, muitas mulheres ainda em sofrimento devido às violências sofridas pelo abuso sexual que aconteceu na infância.

Se tantas campanhas são realizadas, se penas são aplicadas o porquê esse comportamento não é extinto? Acho que essa pergunta incomoda muita gente. Onde está a humanidade dos humanos? Como é possível praticar tal ato de violência com “pessoinhas” que mal podem se defender?

Lanço essas perguntas a fim de provocar toda à comunidade para que possamos intensificar nos cuidados e denúncias, e de que as crianças e adolescentes sejam escutadas e acreditadas, e ainda que os agressores sejam responsabilizados mais rapidamente.

Quando uma criança ou adolescente é violado essa marca fica pro resto da vida, isso deixa sequelas e pode acabar impedindo de viverem de maneira mais plena e saudável na vida, inclusive na fase adulta, pois pode atrapalhar na construção de vínculos, gerar ansiedade e quadros depressivos, inseguranças, atrapalhar na vida sexual, e muitas pessoas, especialmente as mulheres, desenvolvem aversão ao contato humano de qualquer espécie.

Crianças cuidadas e saudáveis mentalmente serão adultos saudáveis. Crianças negligenciadas e violentadas tem chance bastante elevada de ter sua saúde mental fragilizada e que reflete na vida toda.
Não tolere nenhum tipo de violência! Denuncie!
 
Joyce de Almeida Cruz
Psicóloga Clínica
CRP 12/11350
(47) 99905 2536 – whatsapp
Joyce.cruz.5473 - instagram

Sobre Joyce de Almeida Cruz

Psicóloga


Sobre a Coluna

Linha Saúde Mental

Uma coluna que reúne assuntos relacionados a saúde mental a partir do olhar da psicologia. Temas que podem ajudar as pessoas a lidarem com suas emoções e sentimentos, e ajudar ainda na compreensão sobre temas do dia a dia a fim de promover a saúde mental de todos, com a psicóloga Joyce Almeida.


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