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Dra. Katia Quintanilha Soares e Dra. Maria de Fáthima da Costa Santini Teles


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Semana de avanços



Esta semana se encerrou o primeiro ciclo dos grupos reflexivos para mulheres envolvidas em situação de violência doméstica, que ocorre em parceria com a 43ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Santa Catarina (OAB Camboriú), o estágio de extensão do curso de psicologia do Centro Universitário Avantis – UNIAVAN, com apoio do Poder Judiciário, Ministério Público e Polícia Civil do Estado de Santa Catarina.

Essa parceria iniciou neste semestre, onde foram criados dois grupos reflexivos, um deles para homens e outro, separado para mulheres.

Foi um enorme desafio,a Lei Maria da Penha não prevê a obrigatoriedade das mulheres participarem de grupos psicossociais, sabíamos desde o começo que deveríamos trabalhar com convites e que as participações deveriam ser espontâneas, mas que há estudos que demonstravam a não adesão.

De fato não é fácil mudar realidades, demonstrar o quão importante é “despertarmos” para questões de violência no âmbito familiar. O quão importante é a informação, de forma acolhedora e sem julgamentos.

Bem na realidade vivemos em uma sociedade ainda machista, com raízes fortes do patriarcado, onde em muitas situações a violência é algo tão natural em alguns meios que não é vista como uma violência que deva ser reprimida com intervenções.
Certamente que existem julgamentos e isso é lamentável, pois trabalhamos com seres humanos, famílias, na maioria há filhos e com certeza todos tem sentimentos, emoções e dores que carregam.

Mulher não apanha porque gosta! Mulher não é ofendida por não se importar! Mulher não é humilhada porque acha bonito ser tratada como “objeto”!

Mas quebrar o ciclo da violência não é uma decisão fácil e não depende de ninguém a decisão, que não seja as pessoas que estão envolvidas. Decisões são difíceis, crescer realmente não é fácil. De fato... “joelho ralado dói bem menos do que coração partido...”
A violência, em especial a violência doméstica na maioria das vezes tem ciclos, na maioria das vezes é progressiva, na maioria das vezes inicia de forma tão sutil que há dúvidas se não era uma brincadeira. A violência doméstica tem questões não apenas de decisão, mas muitas vezes de dependência e, essa dependência não é apenas financeira, não falamos aqui de dinheiro, falamos de sentimentos, de dependência psicológica, de medos, medo do incerto, medo do desconhecido.

Quem já não pensou que se algo está ruim ainda pode piorar?

Muitos julgam, mas talvez falte um pouco de empatia para compreender que cada pessoa tem uma história e essa história é quem cria as pessoas que nos tornamos. Mulheres com filhos no primeiro ato de violência arruma as coisas e vai embora? Ok, e as mulheres com filhos que olham para as crianças e pensam, como ele ficará longe do pai?

Sim, é complexo, mas é necessário falar sobre a violência sem preconceitos, esclarecer sem fofocas, sem informações erradas, sem “achismos”, quem não sabe, deve buscar informações, quem nunca se envolveu em situação de violência, ótimo, mas informe-se, pois se em algum dia ocorrer, tenha esclarecimentos para tomar decisões.

Concluir os encontros deste primeiro de muitos outros semestres que desejamos que ocorram, com a adesão de mulheres que chegaram frágeis, tímidas, com medo e concluir com leveza, sorrisos, mesmo sabendo que há um caminho para ser percorrido, mas que sabe que sempre haverá alguém que olhe e diga: “Independente da sua decisão, te respeitamos! Você é capaz!” Isso não tem preço, tem valor inestimável.

Esse primeiro ciclo dos grupos reflexivo para as mulheres se encerrou na mesma semana em que foi para a primeira sessão da Câmara de Vereadores o projeto do Vereador Marlon Borsatto, com proposta para alteração de dispositivos da Lei Municipal n. 3204/2019, entre outras sugestões, a de inserir o tema “violência doméstica nas escolas”, para esclarecer e despertar as crianças e adolescentes, para que possamos colocar essa pauta na educação. Essa primeira votação foi aprovada por unanimidade e tudo indica que com prosseguimento para próxima sessão, seguiremos acompanhando.

É com orgulho que buscamos reduzir os índices da violência doméstica em Camboriú, através de trabalhos de prevenção em conjunto com diversos órgãos, instituições e empresas. Que possamos ter cada dia mais aliados nesta causa.

Sobre Dra. Katia Quintanilha Soares e Dra. Maria de Fáthima da Costa Santini Teles

Advogadas

Dra. Katia Quintanilha Soares: advogada atuante na área da família e criminal; membro do Observatório Estadual da Mulher e da Comissão de Vítimas da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Santa Catarina; coordenadora Geral das Comissões da OAB Camboriú e do Programa OAB Por Elas Camboriú; presidente da Comissão de Violência Doméstica da 43ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Camboriú e do Conselho Municipal de Direitos das Mulheres de Camboriú. Dra. Maria de Fáthima da Costa Santini Teles: advogada atuante na área criminal; presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subseção Camboriú (gestão 2019/2021) e representante da OAB Suplente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres de Camboriú.


Sobre a Coluna

Linha Social Jurídica

Combate à violência doméstica e ações da área da família.


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