COLUNAS



LINHA SAÚDE MENTAL

com


Joyce de Almeida Cruz

​Quem está por trás dos comportamentos do seu filho?



Você já identificou algum comportamento que julgou inapropriado de alguma criança? O que você pensou sobre a criança quando isso aconteceu?

O desejo de escrever sobre esse tema foi devido a uma conversa que tive com uma amiga dias atrás, especialmente porque estávamos elencando aspectos que contemplam “criar” um filho, e que não somente consiste em dar o que comer, mas também oferecer afeto e educação. Naquele dia minha amiga que já tem um filho contou sobre uma experiência que teve ao observar seu filho brincar com outras crianças da mesma faixa etária e que diferente do seu menino já apresentavam pensamentos fora da idade correspondente, eram pensamentos maliciosos. Ela contou com orgulho ao perceber que sua criança não entendeu o que aconteceu, assim ela pode explicar a ele de uma maneira tranquila o motivo do riso das outras crianças sem entrar no mérito da malícia, também não repreendeu nenhuma das outras crianças, pois seus respectivos pais estavam presentes na ocasião, e é importante que seus pais que são suas referências devam fazer esse tipo de intervenção.

Após compartilhar com vocês minha motivação para falar sobre isso, gostaria de perguntar se vocês entendem que o funcionamento dos seus filhos tem muito de como eles veem vocês se comportarem, isso tanto para as coisas boas como também para as ruins.

As informações que seus filhos vão absorvendo ao ver como você age e reage sobre as coisas na vida vai modelando como ele também o fará, enfim coisas que para os adultos parecem tão imperceptíveis, para as crianças são uma grande escola (comportamentos bons e ruins), vou utilizar como exemplo comportamentos facilmente observados no trânsito para facilitar a compreensão: quando você passa fora da faixa de pedestres, quando você para ou estaciona em local proibido e justifica que é rapidinho, quando você xinga alguém no trânsito só porque a pessoa “anda mais devagar que você”, quando você acelera o carro para apressar os outros carros ou pedestres, quando você passa no sinal vermelho justificando que não vem ninguém, quando você bebe e dirige, quando não utiliza cinto, ou pior quando não transporta seu filho da maneira correta com a cadeirinha adequada ou com o capacete do tamanho certo, dentre outras situações. Esses são alguns exemplos sobre burlar regras que seus filhos percebem que você faz e entendem que é normal, e depois como que você vai querer cobrar deles regras e limites?

Outros exemplos: quando você é grosseiro com o atendente porque ele não tinha como resolver seu problema, quando você debocha das fragilidades de outra pessoa na frente dele, quando você cobra dele “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, quando você diz perto dele que ser homossexual é um problema, ou quando você diz que morador de rua é tudo vagabundo, ou quando você diz que bandido bom é bandido morto, quando você promove a ideia perto dele de que ter uma arma em casa trás segurança ou que tudo pode ser resolvido com ela, ou seja, com violência, quando você trata pessoas diferentes de você de maneira desprezível, quando você não devolve o troco que veio a mais por engano, quando você corta uma fila, quando você reproduz discursos machistas ou sexistas, quando você tira proveito de alguma situação a qual outra pessoa saiu prejudicada e você estufa o peito para dizer ao seu filho “que o mundo é dos espertos”.

Entenda de uma vez que muito do funcionamento do seu filho se baseia em como ele te observa se relacionar com os outros. Você quer ser uma boa referência então faça valer a pena, você não precisa reproduzir ou perpetuar os maus exemplos que aprendeu na vida. Não estou aqui para julgar ninguém, mas é importante destacar que o acesso a essas informações que vocês têm os coloca numa posição privilegiada que provavelmente seus pais não tiveram, e justamente por isso vocês podem fazer a diferença na vida de seus filhos, os fortalecendo emocionalmente de maneira educada, inteligente e respeitosa. Mostre a seus filhos que rosa pode ser usado por qualquer pessoa, assim como o azul e amarelo, mostre que chorar não significa fraqueza, e que agressividade não significa fortaleza, ensine seus filhos a respeitarem as mulheres e todas as diferenças de todos os humanos que vivem nesse planeta, ensine seus filhos que preservar a natureza é importante e que todos podemos e devemos cuidar uns dos outros, mostre que ser careta pode ser legal, enfim ensine bons valores aos seus filhos.

Então: que tipo de lembranças você quer que seu filho tenha de você quando ele estiver educando os teus netos?
Importante! Quando você receber qualquer queixa referente ao comportamento do seu filho, antes de tomar qualquer atitude reflita do porque ele está agindo como esta, porque ele pode estar apenas reproduzindo o que aprendeu com você.
 
Aceito sugestões para os próximos textos, enviem whatsapp ou informem direto no jornal Linha Popular.  
 
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Linha Popular.
 
Joyce de Almeida Cruz
Psicóloga Clínica
CRP 12/11350
(47) 99905 2536 – WhatsApp
Joyce.cruz.5473 – Instagram

Sobre Joyce de Almeida Cruz

Psicóloga


Sobre a Coluna

Linha Saúde Mental

Uma coluna que reúne assuntos relacionados a saúde mental a partir do olhar da psicologia. Temas que podem ajudar as pessoas a lidarem com suas emoções e sentimentos, e ajudar ainda na compreensão sobre temas do dia a dia a fim de promover a saúde mental de todos, com a psicóloga Joyce Almeida.


COMENTÁRIOS