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Cacildo Cardoso Filho

Baixa procura e crises nas empresas de aplicativos chamam a atenção dos consumidores




Foto: Folha da Região

Um dos motivos pode ser o baixo número de motoristas para cada passageiro. 

Nos dias de hoje, principalmente por causa do preço mais em conta, as pessoas estão trocando cada vez mais os táxis convencionais por empresas de compartilhamento de viagens por aplicativos, como é o caso da Uber, sendo por enquanto a maior do mundo no segmento.

A Uber está no mercado desde 2009, sendo considerada uma empresa que atingiu um patamar bem significativo, atingindo US$ 100 bilhões, com ações na bolsa de valores.

Assim como o antigo Orkut e os atuais Facebook, TikTok e Instagram, a Uber decolou e é uma das empresas mais especuladas pelo mercado financeiro, se espalhando muito rapidamente pelo mundo todo. Visto ser um modo rápido e prático de se deslocar com o seu transporte alternativo!

Mas para os colaboradores cadastrados é vantajoso?

A quem diga, que todo início de negócio leva um tempo até você lucrar, obedecendo a procura e a demanda, porém a Uber já está há algum tempo no mercado e obviamente já tem nome na praça.

A Uber não conseguiu enxergar isso muito bem e, hoje, mesmo depois de 10 anos, ela ainda não pode ser considerada uma empresa lucrativa. Em 2018, por exemplo, a organização perdeu US$ 1,8 bilhão, um valor extremamente mais baixo quando comparado com a perda da empresa no último trimestre: US$ 5 bilhões.

Ou seja, dos US$ 9 bilhões levantados em seu IPO, a Uber já conseguiu perder uma grande parte somente em um trimestre. Em média, a companhia perde cerca de US$ 1 dólar a cada viagem realizada, e uma das maiores despesas (80%) dela diz respeito ao pagamento de motoristas.

Quais os meios de não perder o mercado?

Sendo assim, com o objetivo de parar de perder dinheiro, a Uber conta com duas opções: aumentar o valor de suas tarifas ou diminuir o pagamento dos motoristas. Mas, como você já deve ter pensado, nenhuma delas é viável, muito pelo contrário.

Para começar, se a empresa optasse por reduzir ainda mais o ganho dos motoristas, que nos EUA varia até US$ 12 por hora, os profissionais com certeza migrariam para aplicativos concorrentes, algo que já está acontecendo mesmo sem a redução do valor.

Então, ser não é possível cortar os gastos com os motoristas, a outra alternativa é aumentar o preço das tarifas cobradas aos usuários. Contudo, se a Uber fizer isso também acabará perdendo: nesse caso os clientes irão para a concorrência, principalmente para a Lyft.

Essa empresa de compartilhamento de viagens é uma das principais concorrentes da Uber nos Estados Unidos. Ambas estão sempre tentando roubar clientes uma da outra, e para isso tentam ao máximo manter suas tarifas baixas.

Com base nisso, se a Uber aumentar as suas tarifas hoje, basicamente a grande maioria dos seus usuários mudará para a Lyft ou para qualquer outra empresa concorrente que ofereça um valor mais em conta.

O problema é muito maior

Foto: disalconsorcio

Uma das soluções então seria crescer globalmente a fim de ampliar os lucros, no entanto também não há perspectivas boas para a Uber nesse caso.

Na Europa, a Bolt já está dominando o mercado. Já na Rússia, a Uber perdeu para o Yandex, e na China foi deixada de lado por conta do DiDi. Na Ásia, por sua vez, uma região que possui 70% do mercado de compartilhamento de viagens, acabou perdendo para o Go-Jek e para o Grab.

Todos esses concorrentes, além de estarem dominando os mercados locais, desejam também crescer pelo mundo, e isso preocupa ainda mais a Uber. Afinal, a empresa sabe que os clientes não estão pensando nela, o que eles querem é um preço mais em conta.

Portanto, se surgir outro aplicativo de compartilhamento de viagens com custos mais acessíveis, é muito provável que o mercado consumidor da Uber diminuirá ainda mais, inclusive no Brasil, onde a empresa possui ainda 80% do mercado.

Como o aplicativo e as opções oferecidas pela companhia não são diferentes dos concorrentes e não há nenhum programa de fidelidade para os usuários, por exemplo, eles realmente irão sempre procurar os melhores preços.

Dessa forma, é inviável para a Uber aumentar as suas tarifas. Mas, então, o que a empresa deve fazer? É exatamente isso que ela está tentando descobrir antes que seja tarde demais.

De acordo com dados da agência Elite Motoristas, até o final de 2021, a quantidade de motoristas ativos da Uber era de 556 mil na cidade de São Paulo. Pode parecer muito, mas na verdade não é. Isso porque se formos considerar a cidade de São Paulo (SP), a média, conforme o mesmo levantamento e o mesmo período, é de aproximadamente 1 motorista para 22 passageiros que buscam por uma corrida.

Esses referenciais podem explicar a demora e o cancelamento de corridas – ocasionados também pelas taxas do app e pela alta corrente dos combustíveis. 

Tempo de espera e excesso de cancelamentos
Foto: tecnoblog

O excesso de cancelamentos e tempo muito grande de espera por uma corrida desde meados de 2021 são os dois maiores problemas que a empresa enfrenta, tanto na cidade de São Paulo como em outras regiões do Brasil. De acordo com a Elite Motoristas, a crise da Uber pode ter como um dos motivos o baixo número de motorista para os usuários que necessitam do serviço.

Vários motivos dentre eles o aumento excessivo dos combustíveis, quando também as tarifas pagas por estes motoristas à empresa também aumentaram desde então.

Dessa forma, motoristas alegam cancelar corridas, a fim de evitar prejuízos. E, como resultado, os passageiros acabam esperando muito tempo para conseguirem embarcar.

Juntos salvamos vidas!

Por Cacildo Cardoso Filho, Advogado inscrito na OAB/SC 40.885, atuante nas áreas de Direito Penal, Especialista e Pós Graduado em Gestão de Trânsito, Tráfego Terrestre e Segurança Viária.




 

Sobre Cacildo Cardoso Filho

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Sobre a Coluna

Linha Jurídica

Uma coluna que reúne assuntos relacionados a legislação em geral, como Direito Penal, legislação de trânsito e mobilidade urbana. Confira os assuntos em destaque no campo jurídico na visão de um especialista nos temas acima citados, o advogado Cacildo Cardoso Filho.


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