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Alexandre de Souza Metsger


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​O dia em que a terra parou



Nessa semana, tardiamente chegou até a porta de nossa casa o já famoso Corona vírus. Tragédia anunciada que já faz vítimas no Brasil parece pouco assustar nossas destemidos moradores, para não dizer inconsequentes. Até mesmo as autoridades parecem não entender a gravidade, se concentram na porcentagem de mortalidade entre os infectados e esquecem de ver como o vírus se espalha de forma assustadoramente rápida. Cheguei a ouvir de várias pessoas que é só mais uma gripe, porém em 48hrs nossa rotina já foi alterada, parece que finalmente a ficha caiu, espero que já não seja tarde demais.
Infelizmente não há muito o que se fazer além do que já está sendo feito pelas autoridades, dessa vez o vilão é o munícipe e não as autoridades. Várias pessoas após o decreto do Governo Estadual seguem ignorando a lei, resistentes em fechar seus comércios o movimento ainda seguiu durante a quinta-feira, sendo preciso a polícia e agentes municipais saírem as ruas para tentar controlar a desobediência e irresponsabilidade das pessoas.
Os dias que seguirão não são dias de alegria, nossa cidade tem um alto número de desempregados, trabalhadores informais, e pessoas de baixa renda que infelizmente irão sofrer as consequências desse apagão. Diariamente os depósitos de sucatas atendem catadores que todos os dias precisam vender seu reciclado para levar comida em casa, e desses o que será? Para esses a crise chegará mais cedo, será que estamos preparados? Com certeza não. A prefeitura através da Secretaria de Bem-Estar Social já sofre o dia a dia antes mesmo dessa crise, todos os dias chegam novos pedidos de socorro. Estamos à beira de um grande caos amigos. O Governo Federal anunciou um auxílio de 200 reais mensais para os trabalhadores informais, pouco, mas já é alguma coisa, mas aí vem a pergunta: Em meio essa crise, como vai organizar o cadastro para identificar esses beneficiários? Mais ajuntamento de pessoas?
A única certeza que tenho nesse momento é que a salvação será a caridade, o amor ao próximo. Nesse momento não podemos ignorar nossos vizinhos, amigos e os desconhecidos. Se o comercio não voltar ao normal logo, que é o que tudo indica baseado nas experiências de outros países, a única coisa que os mais necessitados terão é a mão amiga do próximo. Com as pessoas em quarentena em suas casas, os moradores de rua também terão dificuldades em se alimentar, praticamente sua única fonte de alimento é a esmola, e se as pessoas não estão nas ruas da onde virá?
Deixo meu pedido, converse com seus amigos, com seus vizinhos e até mesmo desconhecidos se tiver oportunidade. Nesse momento estão restritos o aperto de mão e o abraço, mas a caridade não. Quem sabe em breve alguém que você menos espera esteja precisando de alimento para colocar na mesa de sua família, vamos nos unir mesmo que a distância.
“Essa noite eu tive um sonho de sonhador
Maluco que sou, acordei
No dia em que a Terra parou “ (Raul Seixas)

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