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Alexandre de Souza Metsger


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​Caridade e justiça social



Brasil vive um dos seus piores momentos econômicos. Desde 2014, os números do desemprego batem as portas diariamente do brasileiro. Os números pré Covid-10 já estavam em 11% de desempregados, e acumulava 40% de trabalhadores na informalidade, sem carteira assinada ou qualquer tipo de vínculo com o empregador. O que já era ruim, com a chegada da pandemia já desenha o cenário do caos. Após o período de comércio fechado pelo confinamento, os comerciantes amargam baixo volume de vendas em seus estabelecimentos, e as demissões são consequências óbvias para o momento.
  O governo federal, impulsionado pelas pressões da câmara dos deputados através da Lei do auxílio emergencial, se viu obrigado a implantar o programa de renda mínima, que mesmo recebendo 93 milhões de inscritos, até agora deve atingir apenas metade. Sem contar as pessoas que jamais conseguirão atender os pré-requisitos, sem acesso a celular ou internet para se inscrever.
Camboriú não será diferente. Nossa cidade já vinha sofrendo com o desemprego, contando com nossa indústria pouco desenvolvida, e dependendo na sua maioria das vagas de empregos geradas em Balneário Camboriú e região. Com a pandemia, essas vagas geradas pelo turismo e pela construção civil levará muito tempo para se recuperar e trazer os postos de trabalho perdidos. Camboriú precisa urgentemente de um plano econômico para mitigar os impactos dessa crise que tende a se agravar diariamente.
Medidas urgentes que já abordamos nesse espaço que agora se fazem essenciais, como das concessões, através da repactuação do contrato com a empresa Águas de Camboriú, capaz de trazer investimentos na casa dos 120 milhões de reais, para investimento em infraestrutura de saneamento básico, tema esse presente na revista de prestação de contas da municipalidade. Concessão dos serviços de coleta de lixo que prevejam investimentos imediatos também na infraestrutura de coleta, beneficiamento e valorização dos resíduos, gerando assim renda e emprego nesses tempos difíceis. Em conta de padeiro, seriam cerca de 10 milhões anuais investidos em mão de obra durante pelo menos 5 anos, acredito que seja impossível abrir mão disso.
Outro ponto, que ao meu ver se faz essencial, é a criação de um programa de Agricultura Familiar. Em vários bairros a prefeitura possui terrenos ociosos que facilmente poderiam se tornar em hortas comunitárias, até mesmo grandes áreas de particulares à espera da especulação imobiliária poderiam ser usados nesse projeto. Nesse tempo de crise, onde várias famílias estão dependendo de caridade, uma dose de atenção do município e justiça social cairia muito bem. A secretária de agricultura, que direciona muito dos seus esforços para o cultivo de canteiros ornamentais na cidade, poderia ter seu poder de ação todo concentrado na mobilização juntamente com a comunidade na criação das hortas. Em Florianópolis, isso já é realidade em alguns locais, com a participação massiva dos moradores no projeto.
Quem sabe dessa crise não fazemos uma revolução social em nossas comunidades, incentivamos agricultura familiar, gestão de resíduos orgânicos através da compostagem e produção de adubo, e criando um programa permanente visando segurança alimentar dos que mais precisam.
Se cuidem, fiquem em casa se possível, juntos vamos superar mais esses desafios.
 

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