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Tiago Teixeira Ghilardi

O AUMENTO DO PREÇO DA DROGA “NOSSA” DE CADA DIA



As apreensões de drogas têm aumentado muito, principalmente nas rodovias estaduais e federais. Os números impressionam e demonstram que o tráfico está mais vivo do que nunca e avança com mais ousadia. A estrutura montada para abastecer os usuários, revela a envergadura e a seriedade com que os criminosos conduzem seus “negócios”.
 
Comecemos pelos números. Dados da polícia federal indicam que em 2018 foram apreendidas impressionantes 19 toneladas de cocaína e 354 toneladas de maconha, sem falar nas outras drogas. Já a receita federal divulgou os números de 2019 e o crescimento das apreensões foi de 81% em relação à 2018. A receita age nos aeroportos e portos realizando a fiscalização aduaneira e acaba flagrando a droga na bagagem e nos contêineres que partem ou que chegam ao país. Foram 27 toneladas de cocaína apreendidas em 2019, que é a droga mais consumida no mundo. Ela foi achada nos lugares mais inusitados, seja em meio a carga de café, fundo falso de contêiner e até dentro de uma retroescavadeira. Em Santa Catarina, até o mês de junho, a Polícia Militar Rodoviária apreendeu mais de uma tonelada de maconha nas rodovias estaduais. O ano nem acabou e isso representa um aumento de 100% comparado com 2019.
 
Algumas reflexões são necessárias para entender os números. Um dos fatores para o aumento das apreensões é o maior investimento no que é o coração do sistema de segurança pública: informação, investigação e inteligência. Esse tripé forma o conceito moderno de estratégia em segurança pública, já que, dentro da lógica da doutrina de polícia, o ideal é agir antes que o crime aconteça. Portanto, essas ferramentas permitem evitar que a droga chegue ao local de distribuição, por exemplo. Naturalmente, somente isso não irá impedir os crimes relacionados ao tráfico.
 
Em que pese o aumento das apreensões por todo país, ainda pouco se debate de forma séria o problema das drogas no país. Esse problema existe desde que foram descobertas as propriedades psicoativas das substâncias que se espalharam pelo mundo. A verdade é que pouco se investe na conscientização sobre o malefício que o consumo das drogas traz para o organismo e para a vida social das pessoas. Não há um programa de saúde pública que atinja o Brasil em sua totalidade. As iniciativas são locais e pontuais, nunca em rede ou coordenadas para ampliar o alcance e os resultados preventivos.
 
Resta-nos torcer para que os consumidores se interessem por informação e tenham consciência de que, além de sustentar um vício, sustentam uma cadeia de ações criminosas que movem as engrenagens do crime organizado e da maior parte dos homicídios dolosos praticados no país. Quanto mais elitizado o consumidor mais condenável é a sua atitude de contribuir para o aumento da violência que ele mesmo ampara. Será que é tão difícil entender que o usuário de droga com nenhum poder aquisitivo terá que roubar para sustentar o seu vício e que muito provavelmente a vítima será o usuário de maior poder aquisitivo? Fato é que a droga “nossa” de cada dia está inflacionada no mercado graças às apreensões realizadas. Tomara que motive uma meia dúzia a repensar seus hábitos.  
 
 

Sobre Tiago Teixeira Ghilardi

Policial Militar


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A coluna reúne temas afetos à Segurança Pública e todas suas ramificações. Confira os assuntos em destaque no campo da segurança através da opinião do policial militar: Capitão Tiago Teixeira Ghilardi.


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