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Tiago Teixeira Ghilardi

Deixar de investir na polícia é a solução? (defund the police)



De tempos em tempos a polícia militar vira alvo de linchamento público por parte da grande mídia. Por várias vezes já escrevi da dificuldade em desempenhar o papel de policial militar na sociedade em que vivemos. As pessoas possuem em seu subconsciente a imagem do policial herói que tem capa e suporta todos os tipos de sofrimento físico, mental e emocional. Os policiais são seres-humanos e passíveis de falhas como em todas as profissões. Em todas elas se pode voltar atrás e tentar consertar o erro, o policial militar não. Seu erro pode resultar em morte ou ferimento de alguém. Imagino que como o policial militar é o estado em sua forma mais destacada, o mais legítimo representante aparente, há um movimento maior contra a sua figura.
 
Não é exclusividade do Brasil este movimento. Nos EUA a campanha “defund the police” pretende retirar o investimento dos departamentos policiais e investir em outros setores como educação, moradia e assistência social. Bem, por anos o Brasil tem investido nestes setores. Segundo o IPEA o Brasil aplica 21,1% do PIB em previdência, educação, saúde e assistência social e apenas 1,4% nas polícias. O site da BBC Brasil informa que, hoje, os EUA investem aproximadamente 2% de seu PIB em policiamento, enquanto a metade deste valor é aplicada em programas de assistência social. Portanto, este maior número no investimento em ações sociais no Brasil não se traduzem em diminuição da criminalidade.
 
A ofensiva dos ativistas da diminuição do investimento no policiamento nos EUA já perde força. Autoridades, políticos e alguns (artistas que foram policiais ou serviram às forças armadas) argumentam que é impossível conseguir gerenciar os comportamentos humanos sem uma polícia bem equipada. Alguns setores sugeriram que o atendimento de ocorrências envolvendo violência doméstica fosse realizado por assistentes sociais (importantes profissionais nestes casos, mas estariam expostas se vivessem sozinhas o primeiro atendimento). Porém, ao verificar as estatísticas e os relatos de policiais, constatou-se que essa é uma das ocorrências com mais perigo de reação por parte dos envolvidos por vários motivos. Um deles é a carga emocional envolvida. Em alguns casos, o desejo de representar contra o agressor termina até ele ser algemado. A partir daí, até a vítima se volta contra o policial.
 
As variáveis que compõem a complexidade do serviço policial são tão infinitas quanto as possibilidades do próprio comportamento humano. Diminuir o investimento em uma atividade tão fundamental é condenar a sociedade a exposição crescente de violência.
 
Mas isso não significa que os comportamentos dos policiais não devem ser revistos. Cada vez mais há investimento em ferramentas e qualificação visando melhorar o serviço policial militar prestado. Investir naquele que é o guardião dos pilares democráticos, da paz social e da segurança da comunidade é mais que importante, é imprescindível se quisermos ter e ser uma sociedade mais evoluída em todos os sentidos. O investimento em políticas sociais que envolvam estratégias de policiamento fará a verdadeira diferença na vida das pessoas.

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A coluna reúne temas afetos à Segurança Pública e todas suas ramificações. Confira os assuntos em destaque no campo da segurança através da opinião do policial militar: Capitão Tiago Teixeira Ghilardi.


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