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Tiago Teixeira Ghilardi

TRÊS POLICIAIS MILITARES DE SÃO PAULO MORRERAM PROTEGENDO A SOCIEDADE: A DESTRUIÇÃO DE NOSSOS HERÓIS



Três policiais militares pararam três homens num veículo na manhã deste sábado, 8 de agosto de 2020. Durante a abordagem um deles se identificou como policial civil e entregou uma arma aos policiais. Enquanto a consulta da arma era realizada o suspeito sacou uma segunda arma e alvejou um dos policiais. Começou uma troca de tiros e os outros dois policiais também foram alvejados. O suspeito, que não era policial civil, foi ferido e faleceu a caminho do hospital. Dois policiais morreram no local da ocorrência. O terceiro foi levado ao hospital, mas faleceu no centro cirúrgico.
 
Esta ocorrência demonstra que ser policial militar é estar sempre em risco. Todos sabem disso. O grande problema é que a cultura do nosso país não permite que o trabalho policial militar tenha o reconhecimento necessário e proporcional ao sacrifício realizado por estes homens e mulheres na missão de proteger. O que há é uma afetação na divulgação dos erros cometidos por policiais militares. Por isso que é tão difícil realizar uma simples abordagem. Todo mundo é “de bem”, ou conhece alguém importante, ou é alguém importante (o famoso: sabe com quem você está falando?). Esse comportamento coloca em risco os policiais militares a todo momento.
 
Isso tem que mudar! Esses dias vi uma entrevista ao programa Roda Viva do engenheiro Ozires Silva datada de 2018. Ozires é um dos fundadores e ex-presidente da Embraer e coordenador da equipe que produziu o avião Bandeirante, o primeiro avião de transporte projetado e produzido em série no Brasil. Ozires também presidiu a Petrobras, foi ministro da Infraestrutura e das Comunicações. Durante a entrevista ele fala sobre a vez em que teve a oportunidade de conversar com três membros do comitê que escolhem os ganhadores do prêmio Nobel. Ozires perguntou a eles o motivo do Brasil não ter um prêmio Nobel até hoje. Todos eles desconversaram. Mas, durante o jantar que os reuniu, após algumas doses de vodca, um dos membros disse ao engenheiro brasileiro que o motivo de não termos nenhum ganhador do prêmio Nobel era que: “os brasileiros são destruidores de heróis”. A entrevista prossegue e Ozires explica que a razão é que há uma desconfiança dos brasileiros em relação a eles mesmos. Toda vez que aparece um nome, o próprio brasileiro não apoia.
 
Destruímos não só os candidatos ao prêmio Nobel, mas os verdadeiros heróis do nosso país todos os dias com críticas e diminuindo o trabalho e esforço deles. É só ligar nos canais de televisão aberta durante os jornais nacionais ou assistir a um julgamento do STF sobre a proibição da entrada da polícia nas favelas. Destruímos nossos heróis e somos complacentes com os transgressores da lei.
 
A glamorização do crime, a bandidolatria desenfreada, o apoio ao criminoso que “não teve oportunidade na vida” mata policiais todos os dias, e não é uma figura de linguagem, mata mesmo. Mas também mata a instituição, o ânimo dos policiais, a vontade de inovar daqueles que prestam um serviço difícil a uma sociedade imerecedora do esforço e do sangue derramado. Mesmo assim eles continuam. É só pegar o telefone, discar 190 a qualquer hora, em qualquer dia do ano, que o delivery da segurança pública chega na porta da sua casa quando você mais precisa, principalmente nos casos mais graves.
 
Por isso, ao 3º sargento PM José Valdir de Oliveira Júnior, soldado PM Celso Ferreira Menezes Júnior e soldado PM Victor Rodrigues Pinto da Silva faço esse texto para eternizar e homenagear a memória de suas existências, destes que são os verdadeiros heróis de uma guerra moderna num país destruído por quem não quer que ele dê certo, do jeito certo.

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A coluna reúne temas afetos à Segurança Pública e todas suas ramificações. Confira os assuntos em destaque no campo da segurança através da opinião do policial militar: Capitão Tiago Teixeira Ghilardi.


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