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José Angelo Rebelo

Os famosos cantores, violeiros e compositores camboriuenses




Valinho e Nena - Fotos cedidas por Ângela Pereira

Na década de 1950 a música sertaneja de raiz estava no auge, difundida a partir de São Paulo pelas ondas das rádios Tupi, Nacional, Difusora, entre outras. Os cantores de rádio eram conhecidos nacionalmente porque a radiodifusão era o principal contato informativo nos diversos recantos do Brasil, quiçá no mundo. Naquela época, dois Irmãos camboriuenses formaram uma dupla sertaneja. Eram eles Valinho (Valmor Canuto Pereira) e Nena (Nery Pereira), ambos filhos de Canuto José Pereira, meu tio-avô materno e de Antônia Gerônima Pereira. Sendo sempre muito aplaudidos eram convidados a se apresentar nas rádios de Itajaí e festas da região, onde cantavam músicas de sucesso de duplas paulistas famosas e de algumas composições próprias.

Na época, quando circos se instalavam nas cidades, quase sempre traziam como atrações duplas de cantores de sucesso nacional. Foi numa dessas ocasiões que um circo, instalado em Camboriú, anunciou como atração principal, Tonico e Tinoco, a “Dupla Coração do Brasil”. Como ocorre até hoje, as bandas e cantores locais eram o aperitivo oferecido, antes da apresentação dos grandes astros do show. Naquela ocasião, os Irmãos Pereira foram convidados para fazer a abertura da apresentação daquela dupla famosa paulistana. Ao ouvirem a composição “Rio Pequeno”, Tonico e Tinoco se encantaram com a moda apresentada por Valmor e Nena. Após o show, pediram que eles a cantassem em particular. Gravaram de ouvido a música e copiaram a letra.

Tempos depois, aqueles paulistas lançaram-na como sendo composição de Tonico e João Merlini, quando então se tornou um dos grandes sucessos daquela tal dupla “Coração do Brasil”. Como na época não havia conhecimento sobre direitos autorais, Valinho e Nena nunca reclamaram do ocorrido, antes, pelo contrário, ficaram muito orgulhosos de sua música ter sido gravada por aqueles famosos cantores nacionais. 

O título “Rio Pequeno” se refere ao bairro camboriuense, que naquela época ficava no meio rural do município.  
Tonico e João Merlini “paulistaram” a letra e a gravaram assim:

        Rio Pequeno

Eu arriei meu cavalo quando tava escureceno
Pra roubar uma moreninha da banda do Rio Pequeno*
Eu cheguei na casa dela meia-noite mais ou meno
Ela já tava esperando nas hora que nóis marquemo

O seu cabelo briava, moihadinho de sereno
Fui chegano perto dela, um bejo de amor troquemo
Eu te amo moreninha de quando se conhecemo
Dizem que o amor não mata, de paixão eu tô morreno
 
Por você eu tenho penado, minha vida era sofreno
Eu dormino, variava, no sonho eu tava te veno
Na hora que nóis partimo sorrino ela foi dizeno
Mas que cavalo ligeiro, que as ferrage vai bateno

Este é meu baio tostado, já sabe o que eu to fazeno
O macho tava réivoso, no freio tava mordeno
Pois ele ta adivinhando que vai posá no sereno
Ela perguntou o destino, eu já fui esclareceno


Nóis vamos pra Mato Grosso*, ninguém mais fica sabeno
Pra gozar o nosso amor, que ha tempo nóis vem sofreno
O zóio dela encheu d'água, despediu co'a voz tremeno
Adeus, casa dos meus pai! Adeus, chão do Rio Pequeno!


 

* Na letra original estava Porto Belo

Fotos cedidas por Ângela Pereira

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Narrativas que resgatam parte da história de Camboriú e região, pelo historiador José Ângelo Rebelo.


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