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LINHA SAÚDE MENTAL

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Joyce de Almeida Cruz

​SOBRE EMPATIA E HONESTIDADE




Foto: Divulgação

Diariamente escuto discursos de falso moralismo e isso me deixa muito pensativa sobre o que está acontecendo com nós humanos. E para quem não sabe o que isso significa é o seguinte: o falso moralismo diz respeito àquelas pessoas que pregam a moral e ser correto em tudo e não agem em conformidade ao que dizem.

Retornando ao título da coluna, vamos compreender primeiro o que significa empatia e honestidade.

Da maneira mais simples a EMPATIA significa se colocar no lugar do outro antes de falar ou agir.

A palavra HONESTIDADE significa ser honesto, apresentar probidade, honradez, isso tudo segundo o conjunto de regras criado para prover o bem comum. Logo, ser honesto significa agir dentro do que é certo e aceito socialmente, outras pessoas compreendem como respeito mútuo, seguir regras, e não usar do famoso “jeitinho brasileiro”.

Exposto isso vamos explorar algumas perguntas reflexivas:

Você passa no farol vermelho? Você para em local proibido? Você utiliza vaga de idoso ou deficiente sem se enquadrar nessa utilização? Você não devolve o troco que veio a mais? Você cola na prova? Você omite informações para usufruir de coisas que não deveria? Você já cortou fila no banco? Você já pediu pra priorizarem seu atendimento médico sem saber das outras pessoas que também aguardam?

Agora outras perguntas que dizem respeito às mesmas que já foram expostas:

Quando você vê alguém passar no farol vermelho e você está a pé e vai atravessar a rua o que você pensa? Quando o carro da frente tranca seu percurso devido parar e estacionar em local proibido como você reage? Se você fosse um idoso ou um deficiente e visse alguém saudável ou jovem utilizando sua vaga como você se sentiria? Se você receber troco errado para menos o que você faz? Quando alguém colou na prova e ganhou mérito por isso como você se sente sabendo que o destaque era para ter sido seu que fez uma prova honestamente? Quando você vê alguém com poder aquisitivo usufruir de benefício das pessoas de baixa renda o que você pensa? E se for você a pessoa de baixa renda que teve um benefício negado e o outro com poder aquisitivo ter ganhado como você se sente? Como você se sente quando cortam sua fila no banco, supermercado ou médico? É justo te passarem na frente numa fila de exames sem que você esteja em condição grave ou mesmo que esteja e tenham outros tanto também na mesma condição?

Os dois grupos de perguntas dizem justamente das mesmas situações, porém vistos por perspectivas diferentes, num deles a pessoa se beneficia e noutro leva prejuízo. Infelizmente tenho observado as pessoas nesse movimento de ser oportunista e se beneficiar desonestamente, e estas mesmas pessoas quando tem seus direitos prejudicados se sentem lesadas, agem e falam de maneira a contradizer suas atitudes e o que acreditam, e o pior que a tendência é sempre de responsabilizar os outros pelo jeito que se é ou pelas coisas que aconteceram.

 As frases que escuto diariamente que são utilizadas, infelizmente, para justificar esses comportamentos desonestos são: “Todo mundo faz”. “Os políticos também roubam”. “O mundo é dos espertos”. “É só dessa vez”. “Ninguém está vendo”. Entre tantas outras que não me lembro nesse momento.

Vejo pais se queixando do comportamento dos filhos sendo que geralmente os filhos só estão reproduzindo os comportamentos apreendidos; vejo pessoas diariamente solicitando o tal “jeitinho brasileiro”; vejo absurdamente uma falta de empatia que me entristece o coração.

Somos todos seres humanos e instintivamente somos movidos a lutar pela sobrevivência quando nos sentimos ameaçados, às vezes tentamos utilizar também de recursos desonestos para nos “salvar”, mas não podemos esquecer da existência do famoso LIVRE ARBÍTRIO, então porque não fazer o que é certo e honesto?

Pode ser que muitos funcionem dessa forma por não terem ainda tomado consciência, ou mesmo por terem sido ensinados assim. Importante acreditar que podemos ajudar a quebrar esse ciclo e proporcionar para as próximas gerações um mundo melhor com pessoas mais empáticas.

Em todas as ações do seu dia reflita: como eu me sentiria se fizessem isso comigo?

Exercitem a empatia e criem para o mundo pessoas justas porque já temos gente corrompida demais. Lembrando que as pessoas corrompidas também podem mudar pra melhor.

E o que tudo isso tem haver com saúde mental? Ter a oportunidade de viver num lugar onde as pessoas sejam mais honestas e responsáveis provavelmente já é o suficiente para ter mais saúde mental, especialmente se buscarmos seriamente nos responsabilizar por nossas ações e ao que estamos ensinando aos pequenos.

Joyce de Almeida Cruz
Psicóloga Clínica
CRP 12/11350
(47) 99905 2536 – whatsapp
Joyce.cruz.5473 - instagram

Sobre Joyce de Almeida Cruz

Psicóloga


Sobre a Coluna

Linha Saúde Mental

Uma coluna que reúne assuntos relacionados a saúde mental a partir do olhar da psicologia. Temas que podem ajudar as pessoas a lidarem com suas emoções e sentimentos, e ajudar ainda na compreensão sobre temas do dia a dia a fim de promover a saúde mental de todos, com a psicóloga Joyce Almeida.


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