LINHA ESPECIAL

​Dia Mundial da Fotografia: As histórias por trás das lentes
A fotógrafa profissional Gabriela Santos e o fotojornalista Gustavo Zonta contam sua trajetória nas profissões




Imagem realizada por Gustavo Zonta, durante a época que atuou como fotojornalista no LP.

Um dos instrumentos mais extraordinários do mundo, a camêra fotográfica tem o poder de eternizar momentos, contar histórias, transmitir informações, proporcionar autoconhecimento e expressão artística. A fotografia está tão presente na nossa vida, que muitas vezes, esquecemos sua importância e o impacto que ela gera ao nosso redor. O dia 19 de agosto celebra o Dia Mundial da Fotografia, sendo a data em que o primeiro daguerreótipo, antecessor das câmeras, foi anunciado pela Academia Francesa de Artes, em 1839.

“Uma imagem vale mais que mil palavras”, já dizia o filósofo chinês Confúcio. Foi através das imagens, que Gabriela Santos, fotógrafa profissional, e Gustavo Zonta, professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e fotojornalista fundador do LP, se encontraram como profissionais e também tiveram a oportunidade de conhecer as mais diversas histórias e transmiti-las. 

A fotografia sempre foi muito presente na vida de Gabriela Santos. Ela conta que na adolescência, sempre foi a amiga que estava com uma câmera e fotografava as outras, por isso, seus primeiros ensaios aconteceram quando ainda era muito nova, aos 15/16 anos, mas em forma de brincadeira com as amigas. As fotos acabaram chegando à outras pessoas que começaram a pedir orçamento. 

Autorretrato de Gabriela Santos
 
Quando chegou a hora de prestar vestibular, Gabriela acabou optando por abandonar a fotografia, e escolheu Design de Interiores, profissão que é formada, mas depois de atuar nessa área, percebeu que não era o que queria, e retornou à fotografia. “A fotografia veio para mim como se sempre fosse minha. Ela sempre teve comigo. A gente tenta levar outros caminhos, mas ela sempre volta”, comenta.

A decisão de voltar a fotografar aconteceu depois de várias crises de ansiedade que enfrentou, por conta do estresse do trabalho da época. Ela chegou a ir ao médico, que disse que ela precisava fazer algo que gostasse para utilizar como escape. “Foi quando eu voltei a fotografar, mas tomou uma proporção muito grande”, conta. Há três anos, Gabriela atua como fotógrafa profissional. A princípio, precisou conciliar com outros empregos que tinha, mas ao perceber uma alta demanda, passou a estudar bastante para adquirir técnica e experiência e hoje, segue apenas como fotógrafa. 

Especialista em ensaios femininos, seus primeiros passos sempre foram fotografando as amigas. Ela também realiza ensaios de casais, mas conta que é na fotografia feminina que sente uma empatia muito grande, pois se vê muito neles e também tem a oportunidade de crescer com as histórias das mulheres que retrata. “Acho que eu não escolhi isso, foi isso que me escolheu”, brinca. Gabriela conta que nesse tempo atuando na profissão, um ensaio a marcou bastante, a ponto de emocioná-la ao finalizar. A modelo tinha depressão, e emagreceu muito, por isso antes mesmo de realizar as fotos, pensou em desistir. O ensaio foi realizado, as fotos ficaram lindas, e esse dia marcou a vida da fotógrafa, ao perceber o quanto fez a diferença na vida da modelo, e também a importância e o impacto da fotografia. “Me chamou muita atenção uma frase que ela me disse, ela falou “Gabi, fazia muito tempo que eu não sabia o que era sair da bolha da depressão”. Aquele momento me marcou muito, ela disse que foi um dos poucos momentos que ela conseguiu estar presente inteira, então foi muito especial”, relembra.

Os ensaios começam com uma conversa prévia com a modelo, sobre seus gostos, o motivo que a levou a realizar o ensaio, como gostaria de ser retratada, escolha de roupas, maquiagem, e local, para no dia, a fotógrafa poder entregar o que a cliente deseja. Para conseguir o click perfeito, Gabriela estudou bastante, mas afirma que a sensibilidade é o principal para retratar as mulheres e conseguir trazer a verdade delas para dentro da foto. 

Foto de um ensaio realizado por Gabriela Santos

Para Gustavo Zonta, a paixão veio de berço. Seu pai sempre gostou de fotografias, e por conta disso, os registros dos principais momentos de sua vida se encontram nos mais diversos álbuns de fotografia. Zonta herdou esse gosto por fotos, mas a paixão floresceu quando entrou para a faculdade de Jornalismo da Univali, entre os anos de 2004 a 2008. Ele relembra que na época, ainda se utilizava equipamentos analógicos, mas foi ali que teve um dos primeiros contatos com câmeras profissionais. 

Por falta de equipamentos, a princípio, o fotojornalismo não era uma opção concreta. A atividade de fotojornalista foi algo que ele acabou entendendo e aprendendo na prática, quando, em sociedade com Fernando Assanti, abriu o Linha Popular, em 2009. Entre eles, Gustavo era o que melhor fotografava, por isso fazer as fotos para o jornal se tornou uma de suas funções. Esse foi um dos motivos que o levou a fazer pós em fotografia. Na especialização, pode aprimorar as técnicas, e aprender a dominar as etapas de produção e ferramenta de tratamento de imagem, e assim, realizar imagens mais interessantes para o jornal. Durante o tempo que atuou no LP, Zonta conta que pode ter muitas experiências, como fotografias de esporte, nas partidas do Camboriú Futebol Clube, fotografia de polícia, quando acompanhou as ocorrências, retratos para entrevistas-perfil. “O fotojornalismo exige essa versatilidade dos profissionais”, diz.

Imagem realizada por Gustavo Zonta, durante a época que atuou como fotojornalista no LP. 
 
No tempo em que atuou na área, o professor realizou diversas imagens, e algumas delas o marcaram mais. Um desses casos é uma foto realizada para uma reportagem sobre uma família que vivia sem energia elétrica no interior de Camboriú. Ele relembra que chegaram na casa quando já estava escurecendo, por isso, na hora da foto, não havia iluminação. A família costumava usar velas para iluminar a residência durante a noite, e assim, realizaram também a foto, à luz de velas. “A própria fotografia de alguma forma contava a história que fomos lá registrar”, conta. 

Imagem realizada por Gustavo Zonta, durante a época que atuou como fotojornalista no LP. 

O fotojornalismo é uma profissão que vem se reinventando nos últimos anos. Atualmente, é muito difícil encontrar mercado de trabalho para atuar, principalmente aqui em Santa Catarina. Os veículos de comunicação acabam por utilizar com mais frequências fotos dos leitores ou de bancos de imagem, o que levou à diminuição das equipes fotográficas, por isso, o fotojornalista precisou desenvolver outras habilidades multimídia ou até mesmo acumular outras funções para se manter. “O fotojornalista deixou de ser o profissional que faz imagens de flagrantes, que agora são feitas pelos próprios leitores, para ser um contador de histórias visuais. Não basta apenas fazer boas fotos para ilustrar notícias e reportagens. As imagens precisam contar uma história, terem uma narrativa própria para além do conteúdo textual”, explica Gustavo Zonta. 

    Em sua dissertação de mestrado, concluído na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2019, ele discute a transformação que o fotojornalismo passa. Zonta afirma que o autoral tem renascido, pois muitos fotógrafos passam a contar histórias interessantes para eles, e se organizado em agências, coletivos ou trabalhos freelance para trazer narrativas visuais importantes para o registro imagético do mundo atual. “Pode-se dizer que uma forma de se fazer fotojornalismo acabou”, acrescenta. 

Imagem realizada por Gustavo Zonta, durante a época que atuou como fotojornalista no LP





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