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​Pastor Hueslen pede a modificação do PL que regulamenta a realização de feiras e eventos em Camboriú
Moradores do município também se manifestam e possuem opiniões divergentes à respeito da proposta





Na semana passada, a Câmara de Vereadores de Camboriú aprovou em primeira votação um Projeto de Lei (PL) que regulamenta a realização de feiras e eventos temporários no município. O PL é de autoria da vereadora Jane Stefenn (PSL) e desde a sua divulgação tem gerado comentários contra e a favor de sua aprovação. 

Nas redes sociais, moradores de Camboriú tem expressado suas opiniões a respeito do Projeto de Lei Nº 0058/2019. Em comentários na página do Linha Popular, os comentários divergem. Há moradores que apoiam o PL: “[...] Leiam e interpretem o projeto! Vocês estão falando bobagem acham que a Jane e os outros vereadores estão querendo prejudicar o Gideões. Mas esse encontro não é um encontro para louvar a Deus? Ou é um encontro comercial para vender muamba? O projeto é bom, basta vocês saberem interpretar!”, escreveu um leitor. 

Em concordância com o projeto, uma moradora comentou em seu perfil que os eventos temporários tem prejudicado os comerciantes locais, que sofrem com os outros que vem de fora, pois a cidade fica uma ‘loucura’, com botijões de gás nas ruas e sem higiene, e que por isso, há a necessidade da ordem que o PL propõe. “Super aprovada essa lei, tomara que se faça valer e seja executada com vigor”, escreveu. 

Outras opiniões são contrárias ao projeto, pois afirmam que há ‘coisas mais importantes para serem feitas na cidade’, e que o PL foi feito exclusivamente para dificultar o Congresso dos Gideões, já que o município não conta com outros eventos do tipo. “O único evento que temos em nosso cidade que já tradição em nosso município, onde o nosso comércio local é aquecido com pessoas colocando suas casas,e suas salas comerciais, no evento do ano passado a prefeitura arrecadou R$ 400 mil reais que foram para comprar uniforme para rede pública escolar”, argumenta outro morador. 

Segundo a vereadora Jane Stefenn (PSL), o objetivo da proposta é “estabelecer limites para a comercialização de produtos, e a forma como são organizados e expostos para a população. A Câmara de Vereadores irá discutir novamente o PL e convidar comerciantes e representantes religiosos do município para o debate. Em seguida, o projeto voltará ao Plenário para uma segunda votação. 

A reportagem do Linha Popular entrou em contato com o Pastor Hueslen Ricardo Santos, vice-presidente dos Gideões Missionários da Última Hora (GMUH), que se posicionou sobre a proposta. O PL já havia sido discutido na Câmara de Vereadores no ano de 2019, e a volta da pauta surpreendeu o pastor, pois sua maior preocupação é com o Artigo 5, que proibe expressamente a realização de eventos temporários nos 30 dias que antecedem as seguintes datas: dias das mães, páscoa, , dias dos pais, dias das crianças e natal. Para o Pastor Hueslen, a proposta não atinge apenas a realização do Congresso do GMUH, mas sim todo e qualquer tipo de evento, como a Festa do Divino (Espirito Santo). 

“O congresso é religioso, é espiritual, mas tem todas as outras questões que envolvem a organização do evento, que sai da estrutura do pavilhão. E graças à prefeitura e à câmara de vereadores, o ginásio municipal é cedido realizarmos o congresso. Então, o evento é religioso? É, mas tem todo um aparato, uma infraestrutura que também depende do poder público, da polícia militar, civil, corpo de bombeiros, vigilância sanitária, epidemiológica, para ter uma  organização, desde a limpeza das ruas, a coleta do lixo, e a estrutura do ginásio. Nós trabalhamos em parceria.” explica o Pastor.

O vice-presidente esclarece que a organização do congresso religioso é realizado pelos Gideões, mas que o comércio temporário é, na verdade, responsabilidade de prefeitura. Além disso, segundo o pastor, todo o município lucra com o evento, já que movimenta a economia de Camboriú. Comerciantes locais relocam os pontos para os que vêm de fora, principalmente os que estão localizados no chamado corredor da multidão, que é o deslocamento do ginásio até o pavilhão. Esses comerciantess tiram todos os produtos que vendem durante o ano de dentro das suas salas, e alugam esses pontos. Moradores lucram com o aluguel das casas, garagens, terrenos baldios ou espaços em suas residências. Padarias, farmácias, mercados e  postos de combustível também lucram com a circulação de mais de 100 mil pessoas nesses 10 dias de evento aqui na cidade, e o município arrecada mais com os alvarás. Segundo o pastor, a igreja católica também lucra com o evento.  “Então, o congresso abençoa a cidade. Primeiro, espiritualmente porque é um evento religioso, e eu reitero o pedido de respeito pela fé, e segundo abençoa financeiramente. O evento já ultrapassou a questão religiosa, já é cultural.”, ressalta. 

Outro ponto destacado pelo Pastor Hueslen é a questão de trânsito. Para ele, é inviável a liberação das ruas do centro da cidade, pois gerará o caos com a tráfego de mais 100 mil pessoas, mesmo que as calçadas estejam livres dos comércios. Além disso, ele defende uma melhor organização do evento nas ruas, pois isso gerará uma boa imagem da cidade e do congresso para o Brasil e  o mundo. “Eles pensam que é tudo o Gideões que organiza e que lucra com esse comércio que se instala. O Gideões não tem nada a ver. Repito, quem cobra o alvará é a prefeitura. Então, organizando e tirando o comércio da calçada, camelôs e afins, a multidão vai poder circular também em cima da calçada e é ótimo. mas tem que trancar as ruas do centro da cidade, porque se liberar vai ficar um caos. Teve questionamento de trânsito de ambulância e de viaturas, mas isso existe um planejamento por parte da prefeitura que organiza o trânsito na cidade. Então, novamente, não é responsabilidade do Gideões, nós trabalhamos em parceria com a prefeitura, polícia militar e secretaria de trânsito que organiza.”, destaca. 

O Congresso dos Gideões Missionários da Última Hora é realizado há 37 anos na cidade de Camboriú. O Pastor Hueslen ressalta que a cidade é a capital de Missões em Santa Catarina e que foi escolhida por Deus através de uma revelação para o Pastor Cesino Bernardino, e que por isso, o evento nunca ultrapassará os limites da cidade, e que também promove uma movimentação na economia e no turismo de toda a região, ou seja, beneficia o estado. Por isso, o evento precisa do apoio da prefeitura, câmara de vereadores, e demais entidades do município para a sua realização e organização, já que toda a região tende a ganhar com o congresso. Ademais, o Pastor reitera que a diretoria do GMUH não tem nenhum problema com a câmara de vereadores e com nenhum dos vereadores e que sempre será a favor de um bom relacionamento com todas as autoridades. 

“Eu espero o entendimento com a vereadora Jane. Parece que eles vão nos chamar para uma reunião, se formos convidados, vamos lá participar do debate, e nós esperamos a compreensão. Repito, eu, como vice-presidente dos gideões, e por conta da Live que eu promovi, eu reitero aqui um pedido aos vereadores, para que modifiquem o projeto para não prejudicar nem a realização do Congresso dos Gideões e nem qualquer outra entidade, e que organize sim o evento, pois vão estar apoiando e ajudando os Gideões Missionários da Última Hora”, finaliza.




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